Para compreender as abelhas, primeiro tens de deixar de as ver como um conjunto de indivíduos. Uma colmeia é um único organismo — os cientistas chamam-lhe “superorganismo”. Uma abelha sozinha não consegue sobreviver; só faz sentido como parte do todo, tal como uma célula só faz sentido dentro de um corpo. Quando entendes isto, tudo o que as abelhas fazem começa a ter lógica.
A rainha — ovos e calma
A rainha é a única fêmea totalmente desenvolvida da colmeia. O seu papel não é “governar”, mas pôr ovos — até 2000 por dia no pico da época, mais do que o seu próprio peso. Igualmente importante, liberta feromonas que dizem a toda a colónia que está tudo bem. Enquanto as abelhas sentirem a rainha, a colónia mantém-se calma, constrói e colhe. No momento em que ela desaparece, em poucas horas instala-se a agitação e a colónia começa a criar uma nova rainha.
As obreiras — todo o resto
As obreiras são fêmeas não fecundadas, e fazem literalmente tudo. Curiosamente, mudam de tarefa à medida que envelhecem — a isto chama-se divisão do trabalho em função da idade:
- Nos primeiros dias: limpam células e mantêm a criação quente
- Depois alimentam as larvas (como abelhas amas) e cuidam da rainha
- A meio da vida: constroem favos, recebem o néctar e guardam a entrada
- No fim: tornam-se batedoras e campeiras de néctar, pólen, água e própolis
No verão, uma obreira vive apenas 4–6 semanas e trabalha literalmente até morrer. As abelhas de inverno, nascidas no outono, vivem vários meses porque a sua tarefa é sobreviver ao inverno e criar a geração da primavera.
Os zângãos — genes para o futuro
Os zângãos são os machos. Não têm ferrão, não colhem e não fazem qualquer trabalho na colmeia. O seu único papel é acasalar com uma rainha jovem — e com uma rainha de outra colónia, em locais especiais no ar onde os zângãos se reúnem. Antes do inverno, quando se tornam bocas inúteis, as obreiras expulsam-nos friamente da colmeia. Isto é normal, não um sinal de problema.
Como a colónia “decide”
Nenhuma abelha está no comando. As decisões emergem através de feromonas, da dança (a famosa “dança da abanadela” pela qual as batedoras anunciam onde está a colheita) e de milhares de pequenas interações. Quando a colónia escolhe uma nova casa durante a enxameação, as batedoras “votam” dançando por diferentes locais até se alcançar consenso. É democracia sem líder.
Por que isto te importa
Quando compreendes os papéis, começas a “ler” uma colmeia em vez de apenas olhar para ela. Vês ovos — a rainha esteve aqui há três dias, no máximo. Vês muita criação de zângão em sítios estranhos — podes ter uma rainha falhada ou obreiras poedeiras. Vês realeiras — a colónia prepara-se para enxamear ou para substituir a rainha. Ouves um zumbido uniforme e calmo — está tudo bem; ouves um “rugido” agitado — falta alguma coisa. Toda a boa revisão na aplicação começa exatamente com estas perguntas.