O inverno não mata as abelhas — a má preparação é que mata. Uma colónia que entra no inverno forte, com abelhas jovens, saudável e com alimento suficiente sobrevive a geadas rigorosas. Os erros cometem-se em agosto e setembro, e as consequências só se revelam em março. Isso faz da invernação talvez o trabalho mais importante de todo o ano apícola. Eis o que uma colónia forte e bem invernada realmente precisa.
Uma colónia forte e uma rainha jovem
As colónias que invernam melhor são as que têm muitas abelhas jovens e uma rainha com não mais do que um ou dois anos. As abelhas jovens de "inverno" vivem meses e mantêm o cacho quente até à primavera, enquanto as abelhas velhas, esgotadas pela campeação, morrem depressa. Por isso, o objetivo é ter muitas abelhas jovens até ao outono — o que significa uma rainha que pôs bem no fim do verão e uma colónia que não está exausta.
Vença primeiro a varroa
A causa mais comum das perdas de inverno não é o frio — é a varroa. Os ácaros que se multiplicam no fim do verão infetam precisamente a geração de abelhas de inverno que tem de sobreviver até à primavera. Por isso o tratamento contra a varroa faz-se a tempo, antes de nascerem as abelhas de inverno (geralmente fim do verão / início do outono), e um tratamento adicional no período sem criação (ácido oxálico, fim do outono / início do inverno) "limpa" os ácaros restantes. Sem isto, todo o resto é em vão.
Alimento suficiente — e do tipo certo
Uma colónia precisa de reservas suficientes para sobreviver desde a última florada até ao primeiro néctar da primavera. A quantidade exata depende da força da colónia, do tipo de colmeia e do clima, mas a regra é: um pouco a mais é melhor do que a menos. A alimentação de inverno faz-se a tempo, com um xarope mais espesso ou com cândi, enquanto ainda está calor suficiente para as abelhas processarem e opercularem o alimento. O alimento tardio que as abelhas não conseguem opercular fica húmido e estraga-se.
- Alimente a tempo — enquanto os dias estão quentes e as abelhas ativas
- Certifique-se de que o mel/xarope está operculado antes do frio
- Deixe também algum pólen/pão de abelha, para a primeira criação da primavera
A humidade é mais perigosa do que o frio
As abelhas toleram o frio se estiverem secas e alimentadas — mas a humidade mata-as. O cacho de inverno produz calor e vapor de água; se esse vapor condensar numa tampa fria e pingar de volta sobre as abelhas, a colónia arrefece e perde-se. Uma boa ventilação é, por isso, fundamental: um teto ligeiramente inclinado ou ventilação superior para que o ar húmido saia, a colmeia abrigada do vento mas não fechada hermeticamente. O isolamento ajuda, mas nunca à custa da circulação de ar.
Proteção contra ratos e vento
No outono, reduza o alvado ou coloque uma grade metálica contra ratos — uma vez que um rato entre, faz um ninho e destrói o favo. Coloque as colmeias de modo a não ficarem viradas para o vento norte, ligeiramente inclinadas para a frente para que a água escorra para fora da colmeia, e estáveis para que o vento não as desloque. Se a sua zona tem vento ou neve fortes, um quebra-vento ou abrigo ajuda muito.
Sossego de inverno e verificações silenciosas
Depois de invernar uma colónia, deixe-a em paz — cada abertura ao frio arrefece o cacho e gasta alimento precioso. As verificações de inverno são silenciosas e feitas do exterior:
- Escute, ou bata suavemente na colmeia — um zumbido suave e regular significa que o cacho está vivo
- Avalie as reservas levantando a parte de trás da colmeia ("ao peso") ou pesando-a
- Depois de neve e gelo, limpe o alvado para que as abelhas possam fazer o voo de limpeza
- Aproveite o período sem criação para o tratamento final da varroa
Deixe a aplicação lembrá-lo
A invernação é uma sequência de passos que têm de acontecer no momento certo — e é fácil esquecer um deles. Na aplicação bee-keeper, os lembretes sazonais conduzem-no pelos trabalhos do outono, e para cada colmeia regista quanto alimento deu e quando tratou a varroa, para que na primavera saiba exatamente com o quê cada colónia sai do inverno.